Quando o peso que carregamos não é nosso
Eu lembro exatamente do momento em que percebi que estava carregando peso demais,
e não era só da mochila nas costas!
Era 2014, na Trilha Inca, caminhando rumo a Machu Picchu.
Entre o frio, o silêncio e a altitude, algo ficou claro: muito do que eu carregava não era meu.
Eram expectativas.
“Deverias”.
Ideias sobre o que eu achava que a vida - e os outros - esperavam de mim, e do que eu precisava fazer para ser aceita, reconhecida, amada.
Durante muito tempo, vivi tentando corresponder.
Até perceber que aquele peso não me pertencia.
Quando o caminho certo não é o seu
Algum tempo antes da viagem, no meio de uma crise existencial pós-formatura, ouvi um conselho bem-intencionado: comprar um carro, um apartamento, pensar em casar, ter filhos.
Naquele instante, senti um nó na garganta.
Não porque aquele caminho fosse errado,
apenas porque ainda não era o meu.
Seguir esse roteiro significaria compromissos longos, sonhos engavetados e uma vida que ainda não cabia em mim.
Reconhecer isso foi um dos meus primeiros gestos de vida consciente.
Yoga, presença e o início da escuta interna
Comecei a praticar yoga em 2013, por indicação médica, por causa de uma hérnia que eu não quis operar.
O que começou como cuidado físico virou um reencontro comigo mesma.
Foi no yoga que aprendi a escutar o corpo, respeitar limites e estar presente.
Sem perceber, eu já praticava mindfulness no dia a dia: atenção à respiração, aos sentidos, ao agora.
Esse novo estado de presença abriu um caminho interno que, silenciosamente, mudou tudo.
Presença é estar onde se está
A trilha não tinha um objetivo espiritual consciente. Ainda assim, foi a jornada mais transformadora da minha vida.
Não havia sinal.
Não havia espelho.
Não havia plano.
Havia apenas o próximo passo.
Foi ali que senti, no corpo, o que significa viver com presença.
E entendi algo simples e libertador:
eu posso escolher. E posso mudar o meu caminho.
Viver consciente não é mudar tudo de uma vez.
É mudar a forma como você está dentro da própria vida.
Quantas vezes forem necessárias.
Sempre que você se perder de si mesma.
Respire.
Solte o corpo.
Sinta.
A vida é uma espiral constante. Muitas vezes repetimos padrões, caímos nos mesmos "buracos" — mas nunca estamos iguais. Sempre há mais bagagem, mais consciência.
Olhe para o que você carrega na sua mochila.
Às vezes, a gente esquece o que é essencial
e dá peso demais ao que não é.

0 comentários