Por que praticar yoga? Um caminho de volta para si

Por que praticar yoga? Um caminho de volta para si

Porque, às vezes, sem perceber, a prática nos conduz de volta para quem sempre fomos.

Quando falamos tanto sobre yoga, é natural que quem olha de fora faça uma pergunta muito simples:

Por que praticar yoga?

O que existe nessa prática que faz tantas pessoas mudarem a rotina para abrir um tapete e dedicar alguns minutos do dia a ela?

Hoje, depois de tantos anos praticando, talvez eu consiga responder. Não com definições ou conceitos, mas com a minha própria experiência.

Vivemos um momento bonito

Está na moda ser saudável. E eu acho isso maravilhoso.

Na minha juventude, a moda era outra. Era se acabar. Sem meias palavras, era isso. Fumar, beber, viver sem muitos limites. Isso era visto como o legal.

Hoje vejo muitos jovens buscando acordar cedo, praticar esportes, cuidar da alimentação, da saúde mental e dormir melhor. Não sei se poderia imaginar um cenário melhor.

Como tudo na vida, acredito que os movimentos tendem a pendular antes de encontrar equilíbrio. No começo, muitas vezes vem o exagero: a busca pela alimentação perfeita, pelo corpo perfeito, pela rotina perfeita de autocuidado.

Faz parte.

E talvez caiba a quem já viveu um pouco mais compartilhar que, no fim, o caminho tende a nos levar de volta ao equilíbrio.

É dentro desse movimento que o yoga cresceu extraordinariamente nos últimos anos. E isso também é bonito de ver.

Ao mesmo tempo, percebo que, muitas vezes, ele acabou sendo levado para o mesmo lugar onde tantas outras coisas chegam: a busca pela performance.

Executar a postura perfeita.

Fazer o famoso "pé atrás da cabeça".

Como se esse fosse o objetivo.

O yoga nunca foi (só) sobre a postura

Existe uma frase de que gosto muito:

"Yoga não é sobre tocar os dedos dos pés, é sobre o que você aprende no caminho até lá." — Jigar Gor

Acho essa ideia libertadora.

Porque ela nos lembra que o mais importante nunca foi a postura.

Foi quem nos tornamos enquanto caminhamos até ela.

Talvez seja justamente isso que torna o yoga tão especial.

Não importa por que você começou.

Pode ter sido por uma dor nas costas.

Pela ansiedade.

Pela curiosidade.

Pela vontade de alongar o corpo.

Pela busca de alguns minutos de silêncio.

Ou simplesmente porque viu uma aula e resolveu experimentar.

A motivação inicial importa muito menos do que imaginamos.

Porque, se você permanece na prática, ela inevitavelmente começa a trabalhar lugares que vão muito além do corpo.

O yoga nos ensina a perceber

O yoga vai nos tornando mais conscientes.

Ele nos faz perceber nossos padrões de pensamento, nosso ritmo interior e nossos comportamentos automáticos.

Aos poucos, começamos a enxergar coisas que antes simplesmente passavam despercebidas.

E é curioso como essa transformação acontece de maneira muito palpável.

Muitas vezes entramos no tapete achando que vamos apenas alongar um músculo e saímos entendendo alguma coisa sobre nós mesmos.

Às vezes uma postura revela um medo.

Às vezes revela uma rigidez que não estava só no corpo.

Às vezes revela uma tristeza.

Com o tempo, vamos percebendo que corpo e mente não vivem separados.

Se aprendemos a respirar melhor, nossa ansiedade pode diminuir.

Se desenvolvemos consciência corporal, dores físicas podem diminuir ou até desaparecer.

Se observamos nossos pensamentos, começamos a perceber quantas ideias nos aprisionam sem que a gente sequer questione se elas ainda fazem sentido.

O que o yoga transformou em mim

Eu vivi isso na minha própria história.

Vi minha hérnia lombar melhorar.

Vi pensamentos que me limitavam perderem força.

Vi crises de ansiedade desaparecerem.

E vivi uma experiência muito marcante:

Depois de uma perda gestacional, foi durante uma postura da ponte que meu corpo finalmente encontrou espaço para chorar.

Não era uma dor física.

Era uma dor que ainda estava guardada.

E, naquele momento, ela encontrou um caminho para sair.

Foi ali que entendi, de um jeito muito concreto, que o corpo também guarda aquilo que a gente ainda não conseguiu elaborar.

Por isso, quando digo que o yoga transforma, não estou repetindo uma frase bonita.

Estou falando de algo que vivi. E vivo.

O que nasce de uma prática constante?

E o que nasce disso tudo?

Eu sinto, aqui no meu íntimo, que nasce verdade.

Nasce uma aceitação — difícil até de explicar — da vida como ela é.

Hoje, me vejo numa busca muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais profunda.

A busca por me conhecer.

Por viver com mais verdade.

Por estar cada vez mais inteira.

E percebo que, quando isso acontece, todo o resto encontra naturalmente o seu lugar.

Eu me torno uma mãe mais presente.

Uma amiga mais disponível.

Uma parceira mais consciente.

Não porque estou tentando desempenhar melhor esses papéis.

Mas porque estou aprendendo, aos poucos, a ser mais eu.

Nessa jornada que o yoga me conduziu, nasceu uma mulher que deseja aprender a lidar com a vida com mais leveza.

A viver essa leveza também nas dores, nos desafios, nos momentos em que parece que tudo vai desmoronar e, igualmente, naqueles em que só queremos celebrar.

Aprender a viver a vida como ela é, sem ser levada por ela.

Essa talvez seja a minha maior busca hoje.

Ter cada vez mais verdade, mais leveza e mais sabedoria para viver as coisas mais simples do dia a dia.

E talvez essa também seja a busca de muitas mulheres.

Mulheres que já entenderam que amadurecer não é endurecer.

É voltar para si.

Yoga é um caminho, não um destino

Yoga não é religião, embora possa fazer parte da espiritualidade de alguém.

Não é performance, embora algumas pessoas o vivam assim.

Não é competição, embora às vezes o ego tente transformá-lo nisso.

Para mim, yoga é uma jornada.

Uma filosofia de vida que se aprende pouco a pouco, na frequência simples de abrir o tapete e praticar.

É aprender a estar.

A seguir.

A se aceitar.

A se conhecer.

E, talvez como consequência de tudo isso, aprender também a se amar.

Talvez seja por isso que eu continue praticando depois de tantos anos.

Não porque exista uma postura perfeita para alcançar.

Mas porque ainda existe muito de mim para conhecer.

E acredito que essa seja uma das maiores belezas do yoga.

Ele não nos transforma em outra pessoa.

Ele nos ajuda, pouco a pouco, a retirar tudo aquilo que nos afastou de quem sempre fomos.


Se este texto encontrou você em um momento importante da vida, espero que ele tenha servido como um convite.

Não para fazer tudo diferente amanhã.

Mas para dar um passo de cada vez, com mais presença, mais gentileza e mais verdade consigo mesma.

É nisso que acreditamos na iná.

Que o yoga não termina quando enrolamos o tapete.

Ele continua na forma como respiramos, caminhamos, fazemos escolhas e vivemos os dias mais comuns.

Conheça a iná yogawear e descubra peças criadas para acompanhar esse caminho.

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